quinta-feira, 29 de outubro de 2009

caso concreto

Hummm....


um gozo noturno, pleonasmo.

um gozo nas frinchas, pleonasmo.

frouxo moço na pica, verga fácil.


um sono, uma víbora, uma liberdade.
um osso coxo na braguilha sustenta a face.

dois corpos, boca ágil.
uma quantidade pequena.
um baitola armado. um olho mentiroso

olha os outros olhos
olha um de cada vez.

rostos são enviesados
(pleonasmo)

olha-se para dentro de um olho
mas olha-se um de cada vez
pois olhos não sustentam a face
afundam-na.

quatro olhos
um par para cada corpo
olham-se afundados
enquanto haste e buraco encaixam-se um ao outro


verdadeiros
e afortunados.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Interstício para pesadelo sobre traição

Perfeição. Inimiga da pressa. Andam juntas, não se fazem dispersas. Inimigas, sob duas pernas alavancam: esperma, emoção, pranto.


São vulvas vísceras amianto. São nojentas e são aquilo que planejo com espanto. Milharal esperto. Espetam vísceras no canal. O sangue está repleto: âncora liquefeita no coito anal. A vida renegera: mil plânctons plantados amiúde. Perto um revertério


de se saber marido


pouco sério.


(tem parceria nova minha com Romieri em coletivoliterario.blogspot.com)

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Sobre a arte de viver







O coração está fetidamente exangue. E não tem romantismo não, claro que não, não tem romantismo nessa atitude.


Tem tesão.

E corolários do aguilhão. Tem história mal-contada. Tem juízo e valor, tem circularidade de raciocínio e pudor. Entende-se que temos que ter tesão de viver. Aprendo com isso. Anos no ostracismo estudando o erotismo. Eis que retorno à baila, começo namoro e tenho que lidar com moralismos, pudores e sem-vergonhices - de minha parte.

A baila é complexa. A vida é complexa. Estou fetidamente exangue procurando respostas no sem-sentido profuso da vida. Estou exangue. Algo morrerá em mim.

Sobre o post anterior

O termo 'viração' é uma descrição de uma ação e do resultado de uma ação. Portanto, perfaz uma circularidade (estilo soma e produto). É um termo descritivo, mas também um termo conceitual. O se virar é um jeito de viver que, como todo jeito de viver, gera consequências. Quem se vira na rua, por estar habituado às imediatidades e intensidades de seus usos e vida, acaba por se habituar ao sem-lugar da rua, uma profusão entre o público e o privado.


Enfim, tá tudo embananado em minha cabeça, o dia está super intenso (o ser humano é falho, todo experimental na lida das energias de vida). Mas acho que os meninos de rua tornam visível um dos mais fortes efeitos da miséria, e também da criminalização da miséria: o estar na rua, geralmente, por um complexo de situações como violência sexual, violência doméstica, drogadição na família, pobreza e vários outros meandros da merda. É foda. Por outro lado, mesmo se não houvesse esse complexo negativo de situações, para mim seria legítimo alguém morar na rua, se quisesse. Meninos e meninas de rua incomodam.

Trabalho com e para os meninos e meninas de rua. Creio que eles devem ser ouvidos e, por meio da criação de um vínculo, deve-se ser suscitado um tesão de viver que não seja a "opção" de estar na rua, projetos de vida. O momento político nos municípios está foda: um clima de higienização das cidades. Tirar os meninos e meninas da rua para inglês ver. Essa retirada na maior parte das vezes é executada com truculência pela polícia. É preciso que os governos atentem para uma linha coerente de trabalho com os meninos, interdisciplinar, que não se incorra nos velhos viéses da assistência, por um lado, e da violência polícial por outro.


Contudo, reconheço como legítima a interpretação de que o termo 'viração' diz respeito também a uma crítica. O próprio menino se emaranha na rede de assistência e no sistema de facilidades oferecidas pelos serviços de atenção e proteção. Porém, quando faz dezoito anos não conta com aquela atenção profissional e nada tem como projeto de vida. Esse é um grande problema, de circularidade.

Beijos.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Viração

"Viração é um termo empregado coloquialmente para designar o ato de conquistar recursos para a sobrevivência. Mais usualmente é referido às atividades informais de trabalhar, dar um jeito, driblar o desemprego etc. Os meninos de rua se viram, o que significa, em muitos casos, se tornarem pedintes ou ladrões ou prostitutos ou "biscateiros" ou, ainda, se comportarem como menores carentes nos escritórios de assistência social. Para eles, a viração contém em si algo mais do que a mera sobrevivência, embora seja seu instrumento. Há uma tentativa de manipular recursos simbólicos e "identificatórios" para dialogar, comunicar e se posicionar, o que implica a adoção de várias posições de forma não excludente: comportar-se como "trombadinha", como "avião" (passador de drogas), como "menor carente", como "sobrevivente", como adulto e como criança. Nesse sentido, é uma noção que sugere, mais do que o movimento - que é dinâmico e constante -, uma comunicação persistente e permanente com a cidade e seus vários personagens. No episódio descrito, Rodrigo estava compondo a imagem de filho rebelde, pedindo atenção e limites a pais omissos. Assim, a viração a rua não se vincula apenas à aquisição de bens para a sobrevivência imediata, ela pode fornecer, sobretudo, relações e interações entre parceiros."

(GREGORI, Maria Filomena. "Viração: experiência de meninos nas ruas". São Paulo: Companhia das Letras, 2000, p. 31."

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

O amor é uma fibra funda e calculada
O cérebro? Uma noz recalcada
Ordenando espinhos.


Qual a postura do teu sentimento?
Pois o meu por instantes se afunila e se instala
No embaraço do desentendimento.
Espiritualista até o osso, ejaculo pleura e fosso
Na pura tentativa de quem larga as tetas e se alaga
Estrangulando filtros.


Gorjeio teu coice no espaço, me desfaço.
Instauro a dor onde você me ama mais: nu aconchego
Pois a carência é o pior dos excessos
E o infortúnio, o enforcado a quem docemente me entrego.


Afinal, de onde partem as veias?




[em construção; difícil fazer versos... postado originalmente em www.coletivoliterario.blogspot.com, 2009]

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Um caso abstrato






Planejo uma poesia para uso do namorado:
um cacho de uva envolto a pica
e belamente chupado.

Para Lacan, o psicótico só faz uso literal da palavra.
Assim, chove canivete em minha vida, miséria que lavro.
Para o poeta, enervar o membro dentre frutas, soturno,
é instaurar beleza molestada no cacho: a boca se sustenta
profunda no monumento básico.


Planejo uma poesia para uso do namorado:
Da sua boca, esquentada alegria se juntará,
dentre bolas e coxas, ao orvalho que de mim
jorrará. Um caso abstrato para, na pele,
transliterar. Mordidas e coisas para amar.




(pintura "A palavra do semeador", de Luis e Danili)